She gambles.
but...
Who wins?...
quarta-feira, 20 de maio de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
E agora, ao lado de numerosas lições de modéstia gravadas na vossa memória pelo vosso pai, inscrevei ainda esta máxima: que só o tempo revela o que vale um grupo de desconhecidos, todas as línguas estão sempre prontas a dizer mal dos estrangeiros e facilmente se inclinam a sujá-las com insinuações. Por isso peço que não me cubram de vergonha com essa beleza que sobre vós chama o olhar dos homens.
Não é fácil olhar o tenro fruto maduro: todos querem meter-lhe o dente, homens e animais, bem no sabeis, os monstros que voam e os monstros que andam sobre o solo. Cypris proclama a atracção dos corpos cheios de sumo. Todos os homens que passam pelas virgens de formas delicadas lhes volvem olhares de encantamento, vencidos no amor. Sabendo isso, guardai-vos de sofrer ofensas que até aqui só conseguistes evitar à custa de fadigas sem conto e lavrando com a quilha do nosso barco grande extensão de mar; não vamos agora cometer erros, que seriam a nossa vergonha e uma alegria para os nossos inimigos. Mas segui os conselhos do vosso pai: tende em mais alta conta a modéstia do que a vida.
Ésquilo, As Suplicantes
Não é fácil olhar o tenro fruto maduro: todos querem meter-lhe o dente, homens e animais, bem no sabeis, os monstros que voam e os monstros que andam sobre o solo. Cypris proclama a atracção dos corpos cheios de sumo. Todos os homens que passam pelas virgens de formas delicadas lhes volvem olhares de encantamento, vencidos no amor. Sabendo isso, guardai-vos de sofrer ofensas que até aqui só conseguistes evitar à custa de fadigas sem conto e lavrando com a quilha do nosso barco grande extensão de mar; não vamos agora cometer erros, que seriam a nossa vergonha e uma alegria para os nossos inimigos. Mas segui os conselhos do vosso pai: tende em mais alta conta a modéstia do que a vida.
Ésquilo, As Suplicantes
segunda-feira, 4 de maio de 2009
poema de quem não procura a rima e a encontra sempre
Sempre
mais tarde e um pouco mais longe
um pouco mais, algo mais, em torno, um contorno
sempre sempre sempre
morno
aliterações consumadas
no tempo futuro de um depois sempre ausente
e as mãos que não podiam ver
não podiam curar
porque isto nunca se tratou de um converter
o depois há-de trazer, wittgensteinianamente
o velho pois
nele contido desde o primeiríssimo verso
e sendo que a primavera chegou mais cedo
será que o verão nos encontra a tempo certo?
mais tarde e um pouco mais longe
um pouco mais, algo mais, em torno, um contorno
sempre sempre sempre
morno
aliterações consumadas
no tempo futuro de um depois sempre ausente
e as mãos que não podiam ver
não podiam curar
porque isto nunca se tratou de um converter
o depois há-de trazer, wittgensteinianamente
o velho pois
nele contido desde o primeiríssimo verso
e sendo que a primavera chegou mais cedo
será que o verão nos encontra a tempo certo?
domingo, 26 de abril de 2009
Eu, Teresa, me confesso.
De uma santa lascívia que me construiu estas paredes de onde parto até vós.
Eu, Teresa, me confesso.
De ter dominado a língua e com ela me ter dominado por deus.
Eu, Teresa, me confesso.
De ignorar os desígnios dos senhores da lei episcopal, de ignorar os receios de meu pai, e de me ter apaixonado por demais.
Eu, Teresa, me confesso.
De uma culpa inconfessável, pois a ela eu obedeço, e para chegar a ti, Senhor, muy grande terá que ser essa culpa. Muy grande terá tido que ser a falta, ainda que inconfessável, porque a ela não acedo em imagem nítida, como a vós, senhor, que eu vejo e ouço.
Eu, Teresa, me confesso de vaidade e de pouco nobre vigília.
E da pretensão de a vós querer chegar, com estes meus humanos e fêmeos sentidos, e uma voz cheia de febre, daquela febre, da qual a razão se parece por vezes ausentar.
Eu, Teresa, me confesso.
De uma santa lascívia que me construiu estas paredes de onde parto até vós.
Eu, Teresa, me confesso.
De ter dominado a língua e com ela me ter dominado por deus.
Eu, Teresa, me confesso.
De ignorar os desígnios dos senhores da lei episcopal, de ignorar os receios de meu pai, e de me ter apaixonado por demais.
Eu, Teresa, me confesso.
De uma culpa inconfessável, pois a ela eu obedeço, e para chegar a ti, Senhor, muy grande terá que ser essa culpa. Muy grande terá tido que ser a falta, ainda que inconfessável, porque a ela não acedo em imagem nítida, como a vós, senhor, que eu vejo e ouço.
Eu, Teresa, me confesso de vaidade e de pouco nobre vigília.
E da pretensão de a vós querer chegar, com estes meus humanos e fêmeos sentidos, e uma voz cheia de febre, daquela febre, da qual a razão se parece por vezes ausentar.
Eu, Teresa, me confesso.
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