de volta à senda do convento
apercebo-me que o segredo está na ostra
e que afinal é isto tudo uma forma diferente do mesmo afrodisíaco
e que esse tão velho sufoco que te angustia é só ar e apenas ar quente
finges-te sempre dormente para que não te levem a mal a inércia
para que não te arrombem a indolência ou te incrustem uma sombra alheia
provarás agora o verdadeiro sentido da apneia
o que te ficará a faltar
no fim de tudo
será o sono e não o ar
e a isso tudo te assiste um treino habituado
e a contornar-te só a própria carapaça
amplificador de um mar de ti
que reverbera o som da terra
sem te chegar a tocar a lama
e se as horas se estenderem em parto
levar sempre presente
que os sonhos não se cobram
sonham-se
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
vejo do cais um cais
rasgar rasgar rasgar
deixares-te romper
não corromper
mas irromper
sem mastro
sem castro
principalmente
sem cadastro
sem redoma
nem retoma
e sempre esta tortura da clausura em que te enfias
como se estar nu fosse o mesmo que usar véu
como se o livre fosse o sozinho
ou o sozinho fosse bastardo
da alma dizer por vezes
frangalho
ou coalho
é tudo aliás e no fundo
uma questão de baralho
cartas que só diferem na contracapa
(aparentemente)
há o bluff
o cenário
um espírito em contraplacado
desde cedo habituado
ao jogo
o mais certo é ser apenas medo misturado com cansaço
e a memória de umas asas de zoroastro
até que
tudo pelo que
tudo para que
no dissolver da gramática
certas teias tecidas de longe
algures entre a morfina e o chocolate
se peguem ao teu corpo
tudo por esse finalmente
em que te enrouquece a voz mas já não se ensurdece a lente
deixares-te romper
não corromper
mas irromper
sem mastro
sem castro
principalmente
sem cadastro
sem redoma
nem retoma
e sempre esta tortura da clausura em que te enfias
como se estar nu fosse o mesmo que usar véu
como se o livre fosse o sozinho
ou o sozinho fosse bastardo
da alma dizer por vezes
frangalho
ou coalho
é tudo aliás e no fundo
uma questão de baralho
cartas que só diferem na contracapa
(aparentemente)
há o bluff
o cenário
um espírito em contraplacado
desde cedo habituado
ao jogo
o mais certo é ser apenas medo misturado com cansaço
e a memória de umas asas de zoroastro
até que
tudo pelo que
tudo para que
no dissolver da gramática
certas teias tecidas de longe
algures entre a morfina e o chocolate
se peguem ao teu corpo
tudo por esse finalmente
em que te enrouquece a voz mas já não se ensurdece a lente
quarta-feira, 29 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
E agora, descalça...
Ela nunca tinha percebido que existia uma enorme diferença entre o desistir e o acabar.
E por isso moía, remoía, feita menina mimada que nunca quer largar o cobertor, sempre à espera do frio, para chegar ao quente.
Hoje, ou ontem, ou antes de ontem, porque os dias por vezes esticam-se para além dos seus limites e duram muito mais do que as horas do costume... bem, Hoje, ela sabe o que é começar.
- Começar-Se -
É que isto para trás foi apenas um prefácio.
E por isso moía, remoía, feita menina mimada que nunca quer largar o cobertor, sempre à espera do frio, para chegar ao quente.
Hoje, ou ontem, ou antes de ontem, porque os dias por vezes esticam-se para além dos seus limites e duram muito mais do que as horas do costume... bem, Hoje, ela sabe o que é começar.
- Começar-Se -
É que isto para trás foi apenas um prefácio.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
a palavra é, sem dúvida, longe. longe para a frente, longe para trás, memória ou desejo, a coisa em si fica sempre longe. um bocadinho mais longe para cima, que isto é tudo imenso e indeterminado, um bocadinho mais longe para baixo, que isto já se viu tudo e esse todo enorme vai ser sempre só um nada ainda mais profundo, até pode ser assim um bocadinho mais longe na diagonal, para dar balanço, e assim um bocadinho mais longe na preguiça, ou um bocadinho mais longe mais depressa, mas um bocadinho mais longe. o longe é o que te fica mais perto.
e o aqui, esse é aquele que sempre na mira nunca te pertence ao agora.
e o aqui, esse é aquele que sempre na mira nunca te pertence ao agora.
sábado, 11 de julho de 2009
da ideia
calcar
calcar para não fugir
para não voar
não perder
calcar
recalcar
para enterrar
e assim preservar
cimentar
calcar para recriar
empurrar
fazer descer
plantar
esperar
e como cactos
de tempo a tempo
regar
e como pão
deixar levedar
bem coberta
para
com muita paciência
um dia poder simplesmente nascer
calcar para não fugir
para não voar
não perder
calcar
recalcar
para enterrar
e assim preservar
cimentar
calcar para recriar
empurrar
fazer descer
plantar
esperar
e como cactos
de tempo a tempo
regar
e como pão
deixar levedar
bem coberta
para
com muita paciência
um dia poder simplesmente nascer
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