segunda-feira, 17 de agosto de 2009

the oister is a cloister and the snail lives alone

de volta à senda do convento

apercebo-me que o segredo está na ostra
e que afinal é isto tudo uma forma diferente do mesmo afrodisíaco
e que esse tão velho sufoco que te angustia é só ar e apenas ar quente

finges-te sempre dormente para que não te levem a mal a inércia
para que não te arrombem a indolência ou te incrustem uma sombra alheia

provarás agora o verdadeiro sentido da apneia

o que te ficará a faltar
no fim de tudo
será o sono e não o ar

e a isso tudo te assiste um treino habituado

e a contornar-te só a própria carapaça
amplificador de um mar de ti
que reverbera o som da terra
sem te chegar a tocar a lama


e se as horas se estenderem em parto

levar sempre presente


que os sonhos não se cobram




sonham-se

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

(Ela levou a palavra a passear.)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

vejo do cais um cais

rasgar rasgar rasgar
deixares-te romper
não corromper
mas irromper

sem mastro
sem castro

principalmente

sem cadastro

sem redoma
nem retoma




e sempre esta tortura da clausura em que te enfias

como se estar nu fosse o mesmo que usar véu
como se o livre fosse o sozinho
ou o sozinho fosse bastardo

da alma dizer por vezes
frangalho
ou coalho

é tudo aliás e no fundo
uma questão de baralho
cartas que só diferem na contracapa


(aparentemente)

há o bluff
o cenário

um espírito em contraplacado
desde cedo habituado
ao jogo


o mais certo é ser apenas medo misturado com cansaço

e a memória de umas asas de zoroastro


até que
tudo pelo que
tudo para que

no dissolver da gramática

certas teias tecidas de longe

algures entre a morfina e o chocolate

se peguem ao teu corpo

tudo por esse finalmente
em que te enrouquece a voz mas já não se ensurdece a lente

quarta-feira, 29 de julho de 2009

...
go tell her that the sky can't shine with rain
...



...little Alice, come down from that tree, come and take a walk with me...
...through this glass I cannot see...





(sometimes I do repeat myself too much)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E agora, descalça...

Ela nunca tinha percebido que existia uma enorme diferença entre o desistir e o acabar.
E por isso moía, remoía, feita menina mimada que nunca quer largar o cobertor, sempre à espera do frio, para chegar ao quente.
Hoje, ou ontem, ou antes de ontem, porque os dias por vezes esticam-se para além dos seus limites e duram muito mais do que as horas do costume... bem, Hoje, ela sabe o que é começar.

- Começar-Se -


É que isto para trás foi apenas um prefácio.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

a palavra é, sem dúvida, longe. longe para a frente, longe para trás, memória ou desejo, a coisa em si fica sempre longe. um bocadinho mais longe para cima, que isto é tudo imenso e indeterminado, um bocadinho mais longe para baixo, que isto já se viu tudo e esse todo enorme vai ser sempre só um nada ainda mais profundo, até pode ser assim um bocadinho mais longe na diagonal, para dar balanço, e assim um bocadinho mais longe na preguiça, ou um bocadinho mais longe mais depressa, mas um bocadinho mais longe. o longe é o que te fica mais perto.


e o aqui, esse é aquele que sempre na mira nunca te pertence ao agora.

sábado, 11 de julho de 2009

da ideia

calcar
calcar para não fugir
para não voar
não perder

calcar
recalcar
para enterrar
e assim preservar
cimentar
calcar para recriar

empurrar
fazer descer
plantar
esperar


e como cactos
de tempo a tempo
regar

e como pão
deixar levedar
bem coberta

para
com muita paciência
um dia poder simplesmente nascer