domingo, 20 de setembro de 2009

adeiar

às vezes as minhas ideias são um bocado desgrenhadas. sá-carneiro, o mário atento, e não o do atentado, talvez as achasse ruivas. outros haverá que as poderão achar aladas demais, que é como quem diz um pouco chaladas. outros mários as dirão porventura um tanto ou mais cerebrais. a mim a maior parte das noites servem-me bem. confundem-se umas com as outras e revelam sempre novos graus (ou asas de grous). é embaraçando-se que se cruzam para tecer o pano do véu em puzzle, como bordadeiras do próprio pão. são também vorazes parasitas umas das outras. e com isso vivem bem. e eu deitava-me bem com elas.

mas agora ao nascer do dia elas parecem-me simplesmente ideias e aí as ideias parecem-me menos do que ar porque já não servem para respirar e por isso é aí que eu quase desisto e me demoro tanto a levantar. é de manhã que as ideias me doem. e é por isso que as minhas noites nunca querem ir dormir. por saber que um quase, invariavelmente neste caso, se transformará sempre num devir e que é isto tudo, cada linha, cada letra, cada sopro, apenas mais um pequeno encadear num pequeno encadear a que se chamam as ideias, e que essas para mais não servem do que para o adiar.



respira, ana, respira. faz-te o favor de respirar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Então é assim... fazendo bem as contas, à vida e às nóias e aos apegos e seus contrários: no final da matemática espiritual, importa é saber que há ainda quem espere por nós para começar o concerto.

E nós, público cheio de soberba que só se atrasa por vis motivos, talvez não nos livremos da baba e do ranho se atropelarmos de novo o tempo e não eliminarmos a distância. E nós, que um dia criámos espaços de tempo fora de uma vida que nos pede sempre uma caução, talvez nos safemos, se quando for realmente necessário a memória não nos falhar.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

conflito puramente virtual:

fazer a história é escrever a história
vs.
escrever a história é fazer a história

e se for contar histórias,
em que é que ficamos? mh?

já extrapolámos os sentidos gramaticais há muito tempo
de outra maneira nunca nos teríamos perdoado
doer, não dói
foi anestesiado para que não fosse perdido

escorraçado

e por erro
remediado

dependurado

o enforcado é só um jogo, crescemos com ele, até lhe estendemos a corda se for preciso
é sempre tudo um sonho, não há mal passível de resultado real
experimenta
crava mais fundo a chaga e sê violento com a corda

amanhã estou cá outra vez
para te lembrar de onde vens

e para onde nunca vais

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ó tu aí de cima, é hoje que me dás um bocadinho de outono?...

domingo, 23 de agosto de 2009

Something stronger than old bias

She will not bail

Will she? Will she not?

Only the room should be a mistake
Only the walls
Never the blood

Steal your present
Not the future still

I check
You fold

Another line. Another sentence, please.

I rest my head upon the table
I will not bail
It will always be your mistake

My gain
The mirror is on the table

I rest my life upon the mirror

I raise
Strangely it sounds better than to rise
Whose word now?
My mistake this time.

Thought you would always be my partner in crime
You bet I was yours

but then
in another town
the dry begin to cry

in the same old another town
in the same old skeletons
in the same almost

almost always far apart
almost always far

There's more than a straight flush to end this
More than mathematics
More than academia


So you have what you asked for


We always get what we ask for

So why won't I ask for you instead?

Why won't you ask me?


we both know a simple clue acts always as the necessary glue
to mend this
to sever this

and it always strikes as a kind of instead
and as a kind instead
numbers adding numbers
and for the time will be

And we both know I am not in the queue for winning a cue in your latest movie
We both know when it's a lie
Feel no shame



Enjoy the game

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

the oister is a cloister and the snail lives alone

de volta à senda do convento

apercebo-me que o segredo está na ostra
e que afinal é isto tudo uma forma diferente do mesmo afrodisíaco
e que esse tão velho sufoco que te angustia é só ar e apenas ar quente

finges-te sempre dormente para que não te levem a mal a inércia
para que não te arrombem a indolência ou te incrustem uma sombra alheia

provarás agora o verdadeiro sentido da apneia

o que te ficará a faltar
no fim de tudo
será o sono e não o ar

e a isso tudo te assiste um treino habituado

e a contornar-te só a própria carapaça
amplificador de um mar de ti
que reverbera o som da terra
sem te chegar a tocar a lama


e se as horas se estenderem em parto

levar sempre presente


que os sonhos não se cobram




sonham-se

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

(Ela levou a palavra a passear.)