Eu sono tenho, vontade de dormir é que me falta.
É também mais ou menos por isso que uso botas quando era suposto andar de sandálias.
E que ando descalça quando devia andar de galochas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
cimentar
concretizar
descarnar
(é em triângulos que costumo dobrar a minha linha)
estico o olhar que me resta para longe das sombras
e das caixinhas de veludo azul
cada uma com a sua chave
perfeita
dourada
e cheia de rebites
como se o ouro fosse porventura calar o nevoeiro
ou aliviar o fardo da melodia
todos esses extremíssimos agudos
são só tombos na gravidade, apertos no estômago e dentes de lobo
são a carne que com a carne trincha a carne
é bem mais grave a velada gravidez da linha recta
do baixo sopro a vibrar na madeira que reveste o teu coração de pedra
e o desejo cinzento das palavras em granito
grave, denso, enevoado
pontuando a negro as vírgulas e as reticências
solares nódoas negras
fundas crateras
e magníficos rasgões de luz
concretizar
descarnar
(é em triângulos que costumo dobrar a minha linha)
estico o olhar que me resta para longe das sombras
e das caixinhas de veludo azul
cada uma com a sua chave
perfeita
dourada
e cheia de rebites
como se o ouro fosse porventura calar o nevoeiro
ou aliviar o fardo da melodia
todos esses extremíssimos agudos
são só tombos na gravidade, apertos no estômago e dentes de lobo
são a carne que com a carne trincha a carne
é bem mais grave a velada gravidez da linha recta
do baixo sopro a vibrar na madeira que reveste o teu coração de pedra
e o desejo cinzento das palavras em granito
grave, denso, enevoado
pontuando a negro as vírgulas e as reticências
solares nódoas negras
fundas crateras
e magníficos rasgões de luz
sábado, 17 de outubro de 2009
desejo de mão descalça em ombro nu
(ou mais um arremesso por falta de caneta)
condensar
expropriar
diluir
lembro-me de o calo existir desde a queda do muro
um indicador de força constantemente a pisar o irmão do meio
isto, quando as ideias não eram vapores
e eu ainda subia às árvores
agora o encantamento faz-se paralisia e a ânsia sonolência
os calos pertencem aos calcanhares
a maior parte das vezes, pelo menos
condensar
expropriar
diluir
lembro-me de o calo existir desde a queda do muro
um indicador de força constantemente a pisar o irmão do meio
isto, quando as ideias não eram vapores
e eu ainda subia às árvores
agora o encantamento faz-se paralisia e a ânsia sonolência
os calos pertencem aos calcanhares
a maior parte das vezes, pelo menos
terça-feira, 6 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
para o eterno não há cura
vem matar-me o cinismo
por favor
vem queimar-me as entranhas e profanar a poesia:
é assim que ela se alimenta, morrendo de cada vez
vem sufocar-me a rima:
pode ser que o que se esconde atrás dela surja assim sem as palavras
e vem por favor riscar-me da pele o contrato com este tempo:
dá-me a sede, que o meu corpo quer incêndio
e está-se nas tintas para a cicatriz
é lembrando tudo que o retorno te assiste
é querendo tudo
a falha, a dobra, o precipício
o risco
sobretudo a vertigem
vem por favor lembrar-me da vertigem:
não me esqueci ainda que é ela o signo da altura
por favor
vem queimar-me as entranhas e profanar a poesia:
é assim que ela se alimenta, morrendo de cada vez
vem sufocar-me a rima:
pode ser que o que se esconde atrás dela surja assim sem as palavras
e vem por favor riscar-me da pele o contrato com este tempo:
dá-me a sede, que o meu corpo quer incêndio
e está-se nas tintas para a cicatriz
é lembrando tudo que o retorno te assiste
é querendo tudo
a falha, a dobra, o precipício
o risco
sobretudo a vertigem
vem por favor lembrar-me da vertigem:
não me esqueci ainda que é ela o signo da altura
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