a determinada altura, dir-se-ia que chorava
a guitarra, pois
mas depois, e de repente
a epifania
são cordas, senhor, são cordas
serão sempre cordas, meu amor
as minhas
as tuas
e o contorno das deles
das cordas se farão correntes
amarras e sobreviventes
tenho a alma congelada
acordei-me a uma voz dormente
encurralei-me no contratempo
e na reverberação artificial do cantar no sítio errado
é o chão que a voz tem que segurar, menina, nunca o seu destino
e agora só mais umas redundâncias vaporosas a anteceder a imagem sonora
a verdadeira imagem sonora, a origem da tragédia proscrita
um corredor
um enorme corredor escuro para alojar o teu desconsolo
e algumas janelas para escorraçar o tédio
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
infiltrações desejadas
espécie de matriz enciclopédica
da mãe enclausurada
tremente
escapemos por favor ao cadavérica
esta sede vai bem mais fundo que o inferno
e a rima só desaustina as braçadas para a outra margem
besunta-me lá de vão conhecimento
e partirei simplesmente
isso que a cabeça fala já o corpo pressente
esse esfaimado devorado
o dono da febre e do telúrio
sensual esfaqueador de asas
é conceito por demais vazio
e esse azul será apenas teu
metal meu será sempre mais vermelho
mais diluído
sempre aguerrido
e sempre desgarrado
e consumado o destino ainda lhe sobra o fôlego para cobrir o sol com o teu dó
mas o que soçobra é o acordar do mi
num acorde laranja vivo e denso
ouro fiel e manso pautado pelos dedos mais velhos do mundo
e nas tuas mãos
o sangue
o meu sangue ainda quente
afligem-me ainda e apenas essas andorinhas esventradas por um outono sonolento
essas notas alheias sopradas ao vento
e umas quantas rimas inusitadas
da mãe enclausurada
tremente
escapemos por favor ao cadavérica
esta sede vai bem mais fundo que o inferno
e a rima só desaustina as braçadas para a outra margem
besunta-me lá de vão conhecimento
e partirei simplesmente
isso que a cabeça fala já o corpo pressente
esse esfaimado devorado
o dono da febre e do telúrio
sensual esfaqueador de asas
é conceito por demais vazio
e esse azul será apenas teu
metal meu será sempre mais vermelho
mais diluído
sempre aguerrido
e sempre desgarrado
e consumado o destino ainda lhe sobra o fôlego para cobrir o sol com o teu dó
mas o que soçobra é o acordar do mi
num acorde laranja vivo e denso
ouro fiel e manso pautado pelos dedos mais velhos do mundo
e nas tuas mãos
o sangue
o meu sangue ainda quente
afligem-me ainda e apenas essas andorinhas esventradas por um outono sonolento
essas notas alheias sopradas ao vento
e umas quantas rimas inusitadas
terça-feira, 10 de novembro de 2009
as porcelanas.
as salamandras.
as cortinas.
rezará porventura a história dos crocodilos?
ou dos devoradores de vidros?
dos dós sustenidos?
dos sis contraídos?
quem te fez acreditar que só um final era possível?
que o aí e o aqui não podiam existir a um tempo certo?
mesmo sabendo quem te criou
o que falta saber
o que te falta mesmo saber
a ré
do lá
(e um fá para mi a saber a limão)
será que é preciso ver
para deixar de crer?
e do ouvir?
e do haver?
e do largar?
cuidar.
cuidar.
as salamandras.
as cortinas.
rezará porventura a história dos crocodilos?
ou dos devoradores de vidros?
dos dós sustenidos?
dos sis contraídos?
quem te fez acreditar que só um final era possível?
que o aí e o aqui não podiam existir a um tempo certo?
mesmo sabendo quem te criou
o que falta saber
o que te falta mesmo saber
a ré
do lá
(e um fá para mi a saber a limão)
será que é preciso ver
para deixar de crer?
e do ouvir?
e do haver?
e do largar?
cuidar.
cuidar.
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
cimentar
concretizar
descarnar
(é em triângulos que costumo dobrar a minha linha)
estico o olhar que me resta para longe das sombras
e das caixinhas de veludo azul
cada uma com a sua chave
perfeita
dourada
e cheia de rebites
como se o ouro fosse porventura calar o nevoeiro
ou aliviar o fardo da melodia
todos esses extremíssimos agudos
são só tombos na gravidade, apertos no estômago e dentes de lobo
são a carne que com a carne trincha a carne
é bem mais grave a velada gravidez da linha recta
do baixo sopro a vibrar na madeira que reveste o teu coração de pedra
e o desejo cinzento das palavras em granito
grave, denso, enevoado
pontuando a negro as vírgulas e as reticências
solares nódoas negras
fundas crateras
e magníficos rasgões de luz
concretizar
descarnar
(é em triângulos que costumo dobrar a minha linha)
estico o olhar que me resta para longe das sombras
e das caixinhas de veludo azul
cada uma com a sua chave
perfeita
dourada
e cheia de rebites
como se o ouro fosse porventura calar o nevoeiro
ou aliviar o fardo da melodia
todos esses extremíssimos agudos
são só tombos na gravidade, apertos no estômago e dentes de lobo
são a carne que com a carne trincha a carne
é bem mais grave a velada gravidez da linha recta
do baixo sopro a vibrar na madeira que reveste o teu coração de pedra
e o desejo cinzento das palavras em granito
grave, denso, enevoado
pontuando a negro as vírgulas e as reticências
solares nódoas negras
fundas crateras
e magníficos rasgões de luz
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