Pára.
Escuta.
Olha.
Por favor, vê.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
(quase todos os direitos reservados ao lado esquerdo do peito)
...
...
...
...
Foi uma raposa do século XX
Uma lady na mesa
Uma devota na ópera
Um fantasma na sacristia
Juncos no fundo do rio
E eu rio, senhores,
Eu rio,
É dos calafrios.
Calados os frios.
Estancados
Pelos copos entornados
Corpos escancarados
Torrentes de anis
Anaïs
Uma fogueira, numa clareira
É uma lareira
Freira, sim, e com tormento
Tudo pelo alento, pelo castro
Em suma,
Pelo mastro
A irromper pelo convento
Matreira, sim, também, sempre,
O diabo a quanto obriga
A mulher que é a serpente
Auxilia,
Arrepia
Anemia.
Naná chora as camélias
Desconversam-se as ofélias
Algo morno,
Algo em torno,
A paralisia do masculino na catástrofe verborreica
Todas unidas na hecatombe emocional,
Transverso sensorial,
Amor ocasional.
Tanto como,
Entorpecido o caminho para casa,
Encontrar um sapato de cristal na calçada
Que esfarelamos como a memória pelo esquecimento
Que esfarelamos com a memória
Pelo (para o) esquecimento
Mágoas leva-as o vento,
Ou a estrada,
Ou a água.
Fia, Sophia,
Que o teu sonho ainda cá mora
Teresas vão e voltam e te aguardam à nossa porta
É que certos arremessos não arredam de alma torta
Nem náusea, nem peste, nem jaula
Quanto falta para acabar a aula?
Ofélia é morta.
Penélope já só suspira de tédio,
Safo tirou medicina,
É doutora em priapismo
E Medeia enveredou pelos caminhos do stand-up
Paga as contas e os vícios e os sapatos
Tudo, para compensar os gastos
Joana empunha o arco
Vanessa corre pelo asfalto
Em busca talvez do amor de Alcoforado
Britney convertida aos despachos da alcova
Salve-se, Sade se puder,
Salve-nos Sade, se conseguir
De um amor que nos querem prender
assim que suspiramos mais alto
E Nina chora e chora e chora
Chora, Nina, pelos estragos
Que homem te soube criar
Mas não te soube suster.
...
...
...
Foi uma raposa do século XX
Uma lady na mesa
Uma devota na ópera
Um fantasma na sacristia
Juncos no fundo do rio
E eu rio, senhores,
Eu rio,
É dos calafrios.
Calados os frios.
Estancados
Pelos copos entornados
Corpos escancarados
Torrentes de anis
Anaïs
Uma fogueira, numa clareira
É uma lareira
Freira, sim, e com tormento
Tudo pelo alento, pelo castro
Em suma,
Pelo mastro
A irromper pelo convento
Matreira, sim, também, sempre,
O diabo a quanto obriga
A mulher que é a serpente
Auxilia,
Arrepia
Anemia.
Naná chora as camélias
Desconversam-se as ofélias
Algo morno,
Algo em torno,
A paralisia do masculino na catástrofe verborreica
Todas unidas na hecatombe emocional,
Transverso sensorial,
Amor ocasional.
Tanto como,
Entorpecido o caminho para casa,
Encontrar um sapato de cristal na calçada
Que esfarelamos como a memória pelo esquecimento
Que esfarelamos com a memória
Pelo (para o) esquecimento
Mágoas leva-as o vento,
Ou a estrada,
Ou a água.
Fia, Sophia,
Que o teu sonho ainda cá mora
Teresas vão e voltam e te aguardam à nossa porta
É que certos arremessos não arredam de alma torta
Nem náusea, nem peste, nem jaula
Quanto falta para acabar a aula?
Ofélia é morta.
Penélope já só suspira de tédio,
Safo tirou medicina,
É doutora em priapismo
E Medeia enveredou pelos caminhos do stand-up
Paga as contas e os vícios e os sapatos
Tudo, para compensar os gastos
Joana empunha o arco
Vanessa corre pelo asfalto
Em busca talvez do amor de Alcoforado
Britney convertida aos despachos da alcova
Salve-se, Sade se puder,
Salve-nos Sade, se conseguir
De um amor que nos querem prender
assim que suspiramos mais alto
E Nina chora e chora e chora
Chora, Nina, pelos estragos
Que homem te soube criar
Mas não te soube suster.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
a mim, é sempre o piano que dói
nos meus braços o correr do preto no branco
ritmo marcado a força de dedos lassos
chamemos-lhe um brilho baço
geometria do estilhaço
em sebenta colorida
e o tal cansaço
contraponto de uma síntese mais do que sabida
atordoado
desafinado
e ainda que por vezes descalço
(sempre o desejo do pé descalço)
gelado
enregelado
a voz
o escape
da poluição entranhada
(bílis desclausurada)
nos meus braços o correr do preto no branco
ritmo marcado a força de dedos lassos
chamemos-lhe um brilho baço
geometria do estilhaço
em sebenta colorida
e o tal cansaço
contraponto de uma síntese mais do que sabida
atordoado
desafinado
e ainda que por vezes descalço
(sempre o desejo do pé descalço)
gelado
enregelado
a voz
o escape
da poluição entranhada
(bílis desclausurada)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
petição ao piano sem cauda
a determinada altura, dir-se-ia que chorava
a guitarra, pois
mas depois, e de repente
a epifania
são cordas, senhor, são cordas
serão sempre cordas, meu amor
as minhas
as tuas
e o contorno das deles
das cordas se farão correntes
amarras e sobreviventes
tenho a alma congelada
acordei-me a uma voz dormente
encurralei-me no contratempo
e na reverberação artificial do cantar no sítio errado
é o chão que a voz tem que segurar, menina, nunca o seu destino
e agora só mais umas redundâncias vaporosas a anteceder a imagem sonora
a verdadeira imagem sonora, a origem da tragédia proscrita
um corredor
um enorme corredor escuro para alojar o teu desconsolo
e algumas janelas para escorraçar o tédio
a guitarra, pois
mas depois, e de repente
a epifania
são cordas, senhor, são cordas
serão sempre cordas, meu amor
as minhas
as tuas
e o contorno das deles
das cordas se farão correntes
amarras e sobreviventes
tenho a alma congelada
acordei-me a uma voz dormente
encurralei-me no contratempo
e na reverberação artificial do cantar no sítio errado
é o chão que a voz tem que segurar, menina, nunca o seu destino
e agora só mais umas redundâncias vaporosas a anteceder a imagem sonora
a verdadeira imagem sonora, a origem da tragédia proscrita
um corredor
um enorme corredor escuro para alojar o teu desconsolo
e algumas janelas para escorraçar o tédio
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
infiltrações desejadas
espécie de matriz enciclopédica
da mãe enclausurada
tremente
escapemos por favor ao cadavérica
esta sede vai bem mais fundo que o inferno
e a rima só desaustina as braçadas para a outra margem
besunta-me lá de vão conhecimento
e partirei simplesmente
isso que a cabeça fala já o corpo pressente
esse esfaimado devorado
o dono da febre e do telúrio
sensual esfaqueador de asas
é conceito por demais vazio
e esse azul será apenas teu
metal meu será sempre mais vermelho
mais diluído
sempre aguerrido
e sempre desgarrado
e consumado o destino ainda lhe sobra o fôlego para cobrir o sol com o teu dó
mas o que soçobra é o acordar do mi
num acorde laranja vivo e denso
ouro fiel e manso pautado pelos dedos mais velhos do mundo
e nas tuas mãos
o sangue
o meu sangue ainda quente
afligem-me ainda e apenas essas andorinhas esventradas por um outono sonolento
essas notas alheias sopradas ao vento
e umas quantas rimas inusitadas
da mãe enclausurada
tremente
escapemos por favor ao cadavérica
esta sede vai bem mais fundo que o inferno
e a rima só desaustina as braçadas para a outra margem
besunta-me lá de vão conhecimento
e partirei simplesmente
isso que a cabeça fala já o corpo pressente
esse esfaimado devorado
o dono da febre e do telúrio
sensual esfaqueador de asas
é conceito por demais vazio
e esse azul será apenas teu
metal meu será sempre mais vermelho
mais diluído
sempre aguerrido
e sempre desgarrado
e consumado o destino ainda lhe sobra o fôlego para cobrir o sol com o teu dó
mas o que soçobra é o acordar do mi
num acorde laranja vivo e denso
ouro fiel e manso pautado pelos dedos mais velhos do mundo
e nas tuas mãos
o sangue
o meu sangue ainda quente
afligem-me ainda e apenas essas andorinhas esventradas por um outono sonolento
essas notas alheias sopradas ao vento
e umas quantas rimas inusitadas
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