domingo, 2 de maio de 2010

I'm a widow
I'm a window
I'm a plumber and a keeper

I'm the air
I'm the hands
and the voice you will beseech

I'm the anchor
and the coat
when nothing else will row the boat

I'm a sailor
I'm the tailor
I'll be the storm as I am the bailey

never the bailor
never your bailer


I'm an archer
I'm a torch
I am light being your black

and that's why we'll always come back



and always one step ahead


I'm a sister
I'm your lover
not a leech you struggle over


mirror mirror what can you say?
enjoy the flesh of this array

sleeping beauty before dismay
no faults, no fouls
no aching hearts to be devoured
no rain
no blame
no fear



only love can bring us near

sábado, 24 de abril de 2010

A palavra finalmente adormeceu. Necessário foi muito embalar, muito sussurrar, muito aconchegar. Mas para já dorme, dorme ainda, em sono não tão pesado quanto feliz. Não a acordes, por favor. Só desta vez, deixa-a dormir. Mesmo ganhando a guerra, não quer dizer que se saia ileso das batalhas. Descansa por isso a tua também, que o reinado será como sempre longo, duro, e ofegante.




Neste conto, são sempre os silêncios que resolvem os conflitos.

domingo, 18 de abril de 2010

o Cinzento é uma questão de Aderência.





tanto quanto a Aderência é uma questão do Cinzento.

sábado, 27 de março de 2010

mas o grito, não mo levam, nem mo tombam


ofelianamente

ele
progride

e
regride

terminações que apenas pertencem uma à outra

para elas não encontro correspondência
seja por saber ou por ignorância
(mais me inclinaria para a segunda)

mas talvez por recalcamento

ou simples estancamento

de qualquer das formas, falaremos sempre de obtusidades
circulares obtusidades
(hoje deixo-me perder o ritmo)

precisava de uma rima nova
para assobiar ao vento
(hoje deixo-me abrir parêntesis)



estas nunca chegam para dizer o quanto lamento

segunda-feira, 22 de março de 2010

faça-se lá então o sol:

certas noites salgadas fazem-nos escorregar as almas
há que as cobrir de ouro líquido, que a prata deixa sempre um travo frio

e tendo em conta a natureza dos nossos contágios
que se assumam as precedências
os ruídos
as interferências
de umas muitas horas persas
e das outras todas em que não somos cá


é quando estás que te sinto


por isso te digo simplesmente que podes voltar sempre que quiseres
nas madrugadas nossas apenas os mortos se choram
e precisamente por isso te digo que podes partir sempre que quiseres
e ser o homem que quiseres, e a mulher que quiseres, e a criança que quiseres


entre o mi e o si não pode haver lugar para naufrágios

quarta-feira, 10 de março de 2010

velha. seca. amargurada.

sobre isto me falava margarida, despojada já da vida.


alma não vendo. mas alugo.


as lamúrias ao diabo, que as preces devolvo ao sangue

sonhei um dia que ele era branco
e do negro não mais saí

contratempos

meros contratempos

engalfinhados noutros tempos



faustosas
estas memórias da carne sugerem

geram por baixo
da pele
dentro da tal alma

um desconforto imenso

e socorrem
sozinhas
correm a estrada do pensamento

escorregam


e esfolam-me os joelhos

quarta-feira, 3 de março de 2010

Summer Tale.

(I am done with all this Winter: nothing but muddy shortcuts, an unkind weather, and some really bad rhymes. The worst time to make a record. And maybe the best time to make a child, why not? Maybe the best time to solve these scratchy-cratchy-atchy-itchy-itchy riddles, and definitely the best time to open that bottle of wine you keep hidden behind the encyclopaedic dictionary. Maybe the worst time to come by, and maybe the best time to say hi. Shall we lay our swords on common ground? Besee the torchers twirling from the middle of the sea, and beseech this foreign light for a little help, just a few crumbles of understanding, just to keep you goin', you see?... Only warmth can keep you innocent: you may not fight fire with ice, but you may fight the ice with your fire. Depth is only a matter of Death. A Winter's Judgement, so to speak. An act of Closure. The Opening, night or day, night and day, or any roundabout afternoon. Foolish, one might say, if meaning the hour of the fools. But now again, I am done with all the Winters. They have Spring written all over them. )