é que a vitória não se calça
parece mais digno o desperdício
ainda que um saco roto
ou sempre que em saco roto
tem buraco, mas envolve
(que é do gás e do enxofre?)
não é pois o vazio o que te comove?
metal da espada e da corrente
se queres a rima, leva a rima
seja dela quem te aguente
dança minha é mais pungente
haverá lá manha homónima
ou enredo homofonista
é que nem mesmo uma paronímia
me arranca deste desleixo
é à pele que ele se agarra
e não ao profundo do peito
é no desejo que mora
e é no mar que ele se vê
traz lá
traz-me lá a voz ao meu desejo
em troca te prometo suspiros como jóias
cantares como lamentos
e
se ficares para isso
e
se eu ficar para isso também
prometo mostrar-te como um mundo faz dois mundos
e dois mundos melhores mundos
terça-feira, 1 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
como Hécuba
podes ter tu visto a morte de uns quantos
e a miséria de uns quantos
e a gaguez de uns tantos
como Teresa
rezado pelo sangue de uns poucos
velado pela alma de uns outros
e distribuído garrafas de água numa barraquinha da maratona
Como Hermione
chorado, suplicado
ironizado
E como Calíope
como só dela
cantado
o que te salva
o que te afina
o que te leva
podes ter tu visto a morte de uns quantos
e a miséria de uns quantos
e a gaguez de uns tantos
como Teresa
rezado pelo sangue de uns poucos
velado pela alma de uns outros
e distribuído garrafas de água numa barraquinha da maratona
Como Hermione
chorado, suplicado
ironizado
E como Calíope
como só dela
cantado
o que te salva
o que te afina
o que te leva
quarta-feira, 5 de maio de 2010
tudo isto porque em mim
as línguas são sempre tremores:
umas adensam-se mais a norte do ventre
outras mais a sul
umas parecem congelar-me o peito
enquanto se enrijecem nas pontas dos meus dedos
(e a rima lá chega tão óbvia quanto precisa)
há línguas cheias de medos
há a língua fortaleza
e uma língua binarista
para não haver confusões lapidares
há uma língua conquista
e uma língua dos favores
e há sempre línguas recessas
avessas
(e, bem, lá está a rima)
línguas travessas
línguas janelas, línguas escadas
língua mãe casa
língua trela
língua asa
e língua nascida em cofre-forte
língua de corte
e língua que cose
língua barata e de consorte
língua palavra
maldita
reformada
encavalitada
língua sombra
encurralada
língua vaca
língua puta
língua estria
língua carne
língua veia
língua assombro
língua dura
língua leite e língua morte
há a língua que arrepia
e uma língua nova, míope
língua estrada ou horizonte
há uma língua deserta
e uma despovoada
uma é ainda virgem, a outra foi abandonada
haverá uma língua grávida
e uma língua tudo ou nada
e há pois todo o sangue que nos acompanha
os saltos
as névoas
as trovoadas
e partidas iguais às chegadas
umas adensam-se mais a norte do ventre
outras mais a sul
umas parecem congelar-me o peito
enquanto se enrijecem nas pontas dos meus dedos
(e a rima lá chega tão óbvia quanto precisa)
há línguas cheias de medos
há a língua fortaleza
e uma língua binarista
para não haver confusões lapidares
há uma língua conquista
e uma língua dos favores
e há sempre línguas recessas
avessas
(e, bem, lá está a rima)
línguas travessas
línguas janelas, línguas escadas
língua mãe casa
língua trela
língua asa
e língua nascida em cofre-forte
língua de corte
e língua que cose
língua barata e de consorte
língua palavra
maldita
reformada
encavalitada
língua sombra
encurralada
língua vaca
língua puta
língua estria
língua carne
língua veia
língua assombro
língua dura
língua leite e língua morte
há a língua que arrepia
e uma língua nova, míope
língua estrada ou horizonte
há uma língua deserta
e uma despovoada
uma é ainda virgem, a outra foi abandonada
haverá uma língua grávida
e uma língua tudo ou nada
e há pois todo o sangue que nos acompanha
os saltos
as névoas
as trovoadas
e partidas iguais às chegadas
domingo, 2 de maio de 2010
I'm a widow
I'm a window
I'm a plumber and a keeper
I'm the air
I'm the hands
and the voice you will beseech
I'm the anchor
and the coat
when nothing else will row the boat
I'm a sailor
I'm the tailor
I'll be the storm as I am the bailey
never the bailor
never your bailer
I'm an archer
I'm a torch
I am light being your black
and that's why we'll always come back
and always one step ahead
I'm a sister
I'm your lover
not a leech you struggle over
mirror mirror what can you say?
enjoy the flesh of this array
sleeping beauty before dismay
no faults, no fouls
no aching hearts to be devoured
no rain
no blame
no fear
only love can bring us near
I'm a window
I'm a plumber and a keeper
I'm the air
I'm the hands
and the voice you will beseech
I'm the anchor
and the coat
when nothing else will row the boat
I'm a sailor
I'm the tailor
I'll be the storm as I am the bailey
never the bailor
never your bailer
I'm an archer
I'm a torch
I am light being your black
and that's why we'll always come back
and always one step ahead
I'm a sister
I'm your lover
not a leech you struggle over
mirror mirror what can you say?
enjoy the flesh of this array
sleeping beauty before dismay
no faults, no fouls
no aching hearts to be devoured
no rain
no blame
no fear
only love can bring us near
sábado, 24 de abril de 2010
A palavra finalmente adormeceu. Necessário foi muito embalar, muito sussurrar, muito aconchegar. Mas para já dorme, dorme ainda, em sono não tão pesado quanto feliz. Não a acordes, por favor. Só desta vez, deixa-a dormir. Mesmo ganhando a guerra, não quer dizer que se saia ileso das batalhas. Descansa por isso a tua também, que o reinado será como sempre longo, duro, e ofegante.
Neste conto, são sempre os silêncios que resolvem os conflitos.
Neste conto, são sempre os silêncios que resolvem os conflitos.
domingo, 18 de abril de 2010
sábado, 27 de março de 2010
mas o grito, não mo levam, nem mo tombam
ofelianamente
ele
progride
e
regride
terminações que apenas pertencem uma à outra
para elas não encontro correspondência
seja por saber ou por ignorância
(mais me inclinaria para a segunda)
mas talvez por recalcamento
ou simples estancamento
de qualquer das formas, falaremos sempre de obtusidades
circulares obtusidades
(hoje deixo-me perder o ritmo)
precisava de uma rima nova
para assobiar ao vento
(hoje deixo-me abrir parêntesis)
estas nunca chegam para dizer o quanto lamento
ofelianamente
ele
progride
e
regride
terminações que apenas pertencem uma à outra
para elas não encontro correspondência
seja por saber ou por ignorância
(mais me inclinaria para a segunda)
mas talvez por recalcamento
ou simples estancamento
de qualquer das formas, falaremos sempre de obtusidades
circulares obtusidades
(hoje deixo-me perder o ritmo)
precisava de uma rima nova
para assobiar ao vento
(hoje deixo-me abrir parêntesis)
estas nunca chegam para dizer o quanto lamento
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