Enquanto se vive não se conta.
Nem se poema.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
aqui não se querem companheiros
lutamos apenas pelos cúmplices
reciproca-se a idade como se de um sentimento se tratasse
como se fosse ela que pelo instinto falasse
ora um gracejo
ora uma falácia
nunca tentes que um bocejo rime com a tua audácia
meras eras
quimeras, quiseras
é por turvo encosto que se te abaula a face
mas nunca é pelo punho que o amor nos nasce
quem deras
esperas, kunderas
o meu espaço há-de rimar sempre com esferas
com as feras, pois, e com o cansaço
há um laço entre o estar e o estar como o aço
a prata o ouro o estilhaço
queira eu
quem dera
quem me deras
a quem deras
a quem eras
por quem te esmeras
e com quem faço
isso das esperas e dos fracassos e do mais do que estar aço ser ferro
respira agora a minha vida dentro da tua demora
será sempre edipiana a cumplicidade que contar a história
e a mediana vai ser sempre transitória
por isso pois então porque não por que não
diz-me onde moras
dir-te-ei quem fui
onde estás? onde és? onde me és?
onde te dói?
por quem te esperas?
diz-me quem queres ser
e eu trago-te a morar comigo
sei ser paráfrase e sei ser abrigo
já deixei para trás o crime e o castigo
a janela e o postigo
sê-me varanda
que eu te seja varanda
sejamos varanda
sem muro, sem gradeamento
e pintemos a nossa vista
prometo todas as noites rezar para que não nos estatelemos em chão i-mundo
lutamos apenas pelos cúmplices
reciproca-se a idade como se de um sentimento se tratasse
como se fosse ela que pelo instinto falasse
ora um gracejo
ora uma falácia
nunca tentes que um bocejo rime com a tua audácia
meras eras
quimeras, quiseras
é por turvo encosto que se te abaula a face
mas nunca é pelo punho que o amor nos nasce
quem deras
esperas, kunderas
o meu espaço há-de rimar sempre com esferas
com as feras, pois, e com o cansaço
há um laço entre o estar e o estar como o aço
a prata o ouro o estilhaço
queira eu
quem dera
quem me deras
a quem deras
a quem eras
por quem te esmeras
e com quem faço
isso das esperas e dos fracassos e do mais do que estar aço ser ferro
respira agora a minha vida dentro da tua demora
será sempre edipiana a cumplicidade que contar a história
e a mediana vai ser sempre transitória
por isso pois então porque não por que não
diz-me onde moras
dir-te-ei quem fui
onde estás? onde és? onde me és?
onde te dói?
por quem te esperas?
diz-me quem queres ser
e eu trago-te a morar comigo
sei ser paráfrase e sei ser abrigo
já deixei para trás o crime e o castigo
a janela e o postigo
sê-me varanda
que eu te seja varanda
sejamos varanda
sem muro, sem gradeamento
e pintemos a nossa vista
prometo todas as noites rezar para que não nos estatelemos em chão i-mundo
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
ah pois é já me esquecia
que isto às vezes tem piada
nunca sabes se és partida ou se és chegada
se essa porta é a da saída ou a da entrada
ou se és apenas corredor de passagem
melhor contudo porém apesar de tudo que sejas a passagem no corredor
mas se fores porta, que me leves pelo menos a um jardim perto do lago
é que o mar está muito caro
e se corredor te achares, que te tenhas claro
que em ti tenhas, claro
uma data de janelas
isto tudo a respeito e sem depósito de umas meras telas
de umas quantas pinceladas
nem o bordado tem direito a aniversário
chega-nos uma caneta de feltro para marcar as reticências
ponto a ponto a ponto
se sucedem os pontos que nos pesam como a cruz
e lá se escapou o ora pois então traiçoeiro das janelas
é em ti que vomito sempre esta minha prece sem velas
é que uma coisa é carregares em cima de ti um véu
e outra bem diferente é seres um reles par de cortinas
siga só mais um xarope só para ver se te animas
só mais um conhaque
um brinde à memória
essa náusea verde com o cheiro do absinto
à partida eu sinto
de partida
eu sinto
e quero
e sinto
e quero mesmo muito
sem ti me minto
sou janela pano carne febre esmola tributo
aqui jazo
espero
nasço
e me consinto
assim
abandono os esquemas os dilemas as ilusões dos contrastes
chicoteiam-me os fonemas para que me liberte dos sintagmas
eu que só queria ser morfema
que canta por ser a filha
e é enquanto mãe que dança
que dança
e dança
tropeça
tropeça
tropeça
tropeça
e dança.
que isto às vezes tem piada
nunca sabes se és partida ou se és chegada
se essa porta é a da saída ou a da entrada
ou se és apenas corredor de passagem
melhor contudo porém apesar de tudo que sejas a passagem no corredor
mas se fores porta, que me leves pelo menos a um jardim perto do lago
é que o mar está muito caro
e se corredor te achares, que te tenhas claro
que em ti tenhas, claro
uma data de janelas
isto tudo a respeito e sem depósito de umas meras telas
de umas quantas pinceladas
nem o bordado tem direito a aniversário
chega-nos uma caneta de feltro para marcar as reticências
ponto a ponto a ponto
se sucedem os pontos que nos pesam como a cruz
e lá se escapou o ora pois então traiçoeiro das janelas
é em ti que vomito sempre esta minha prece sem velas
é que uma coisa é carregares em cima de ti um véu
e outra bem diferente é seres um reles par de cortinas
siga só mais um xarope só para ver se te animas
só mais um conhaque
um brinde à memória
essa náusea verde com o cheiro do absinto
à partida eu sinto
de partida
eu sinto
e quero
e sinto
e quero mesmo muito
sem ti me minto
sou janela pano carne febre esmola tributo
aqui jazo
espero
nasço
e me consinto
assim
abandono os esquemas os dilemas as ilusões dos contrastes
chicoteiam-me os fonemas para que me liberte dos sintagmas
eu que só queria ser morfema
que canta por ser a filha
e é enquanto mãe que dança
que dança
e dança
tropeça
tropeça
tropeça
tropeça
e dança.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
descarta-me por favor das tentativas
dos mapas mentais
eu não sou um território
sou um não-lugar
aqui não há nada para cartografar
a não ser que resolvas escrever-me uma carta
isso ainda é do mais romântico que há
é isso,
escreve-me cartas
elas não deixaram de ser idiotas
mas pode ser que as tornes menos prosaicas
não
não sou um território
mas posso ser a tua caixa de correio
dos mapas mentais
eu não sou um território
sou um não-lugar
aqui não há nada para cartografar
a não ser que resolvas escrever-me uma carta
isso ainda é do mais romântico que há
é isso,
escreve-me cartas
elas não deixaram de ser idiotas
mas pode ser que as tornes menos prosaicas
não
não sou um território
mas posso ser a tua caixa de correio
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
o meu tédio escreve poemas
mas só quando não está com azia
não interessa rimar com a poesia
só com o resto
com o entretanto
com o aliás
com o por menor
é que não és tu que escolhes a rima
ela te escolhe a ti para descarnar os pontos cegos
ela está sempre no antes e no depois do eu
independentemente de a encontrares nesse durante
o meu tédio escreve poemas
pelo caminho encontra rimas que não procuro
simplesmente
aprendi a ter o cuidado de não as afugentar
mas só quando não está com azia
não interessa rimar com a poesia
só com o resto
com o entretanto
com o aliás
com o por menor
é que não és tu que escolhes a rima
ela te escolhe a ti para descarnar os pontos cegos
ela está sempre no antes e no depois do eu
independentemente de a encontrares nesse durante
o meu tédio escreve poemas
pelo caminho encontra rimas que não procuro
simplesmente
aprendi a ter o cuidado de não as afugentar
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
eu sei
sempre soube
que o cais é uma miragem
uma feliz miragem
só a queda é que não o é
se cais
quando cais
abres ferida
roxeias a pele
e saras o golpe
o rasgão
fica-te a cicatriz
a carne é que guarda a memória
tudo o resto não é real
são meros tropos
encalços trôpegos
sinédoques bem bebidas
malabarismos do espírito
vulgares psicossomatismos
memórias das chagas do cristo, talvez
e talvez, por que não, biombos
é se calhar esta a ideia perfeita para se juntar ao tombo
eu sei
sempre soube
o cais é uma miragem
se fosse engenheira fazia pontes e estava o assunto sanado
mas não
idiota
escolhi ser marinheira
sempre soube
que o cais é uma miragem
uma feliz miragem
só a queda é que não o é
se cais
quando cais
abres ferida
roxeias a pele
e saras o golpe
o rasgão
fica-te a cicatriz
a carne é que guarda a memória
tudo o resto não é real
são meros tropos
encalços trôpegos
sinédoques bem bebidas
malabarismos do espírito
vulgares psicossomatismos
memórias das chagas do cristo, talvez
e talvez, por que não, biombos
é se calhar esta a ideia perfeita para se juntar ao tombo
eu sei
sempre soube
o cais é uma miragem
se fosse engenheira fazia pontes e estava o assunto sanado
mas não
idiota
escolhi ser marinheira
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