segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

abaixo do baixo ventre se encontra a sola ou quanto mais andas mais sangras e os sapatos querem-se vermelhos que o azul é para os meninos

é do alto dos meus saltos que mando tudo para um certo inferno



são poucos os vivos
mas ainda menos são os mortos
nada mudou


enquanto há pés nos saltos o que menos interessa são os atacadores





o mesmo não serve para os tornozelos

esses depravados nunca querem saber do futuro
para eles o presente é algo que se ofereceu um dia a um pé ausente

esses delinquentes são a madrasta da cinderela
as irmãs da cinderela
e uma maçã envenenada que entrou pela história dentro

esses famigerados
obtusos diabos esfomeados

elos lassos que nunca distinguem o príncipe das trevas

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a dor, como a comichão, é sempre a mesma. apenas varia de ilhas e de intensidades.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cansada de tanto nevoeiro, decidiu investir na tempestade e fazer do verbo uma oração.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

há treze

o oito era uma espécie de quatro à espera de um dez em forma de seis



nesse então,
a memória afectiva nunca se preveria tão matemática




mas também não nos daríamos ao desplante de confundir os tempos verbais

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

As tentativas de simplificação resultam geralmente em mim no mero empurrar do nó do cérebro para os lados da garganta.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

quem julgue suster os poderes do tempo


que se abstenha

pelo menos por agora

pelo menos no enquanto


há chuva que não molha




e quem se abstém que se espante

isto não é só matemática

não é só solfejo

ou mera questão de traquejo


nenhum alfabeto basta

há que abrir o "e" ao sortilégio



assumir plenamente o privilégio de estar só




infinitamente só




e por isso saber-me ao teu lado

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Novo princípio de Reciprocidade:

Concordas?

Não. Com fio.